cadastre-se
E receba novidades em seu e-mail.

 

Testemunho de Erik Farley

Muitas vezes pensei que eu existia apenas para sofrer. Olhava para a minha vida e não encontrava nada que me trouxesse uma alegria real e duradoura. Tinha alguns momentos bons, mas não mais que momentos. Quando era hora de dormir, precisava tomar três ou quatro doses de uísque. Assim, me esqueceria dos meus problemas e estaria entorpecido o bastante para relaxar. Porém diversas vezes perdia o sono. E ficava acordado durante a madrugada, fumando e pensando sem saber o que fazer.

Essa minha busca por um sentido na vida, talvez fosse reflexo de não ter uma família normal como qualquer outra familia. Na verdade, tinha. Mas era como se não tivesse. Muito novo vivi o trauma da separação dos meus pais. Eles brigavam e se desentendiam por tudo. Até que um dia, minha mãe não suportou tamanho sofrimento e saiu de casa. Meu pai ficou muito aborrecido pela dor da separação. Esqueceu-se de todos os bons princípios que havia ensinado a mim e a minha irmã, e passou a beber mais freqüente me lembro que muitas vezes ele so chorava talvez por não acareditar que ele estava passando por tudo aquilo. Fiquei sem rumo e totalmente desorientado. Para sobreviver trabalhava algumas vezes como guardador de carro em busca de algum trocado. Passei a fumar bitucas de cigarro que encontrava no chão e a me alimentar com pão que comprava com o dinheiro ganho da noite de trabalho. O meu pai me levou para morar com um tio em uma outra cidade.” Eu tinha apenas 13 anos de idade.

Ele era dono de uma oficina mecânica. Comecei a trabalhar com ele, em troca de um lugar para dormir e comida. Foi um período de muita dificuldade. Me lembro de uma de um momento que vivi nesta época que eu tinha uma calça, que lavava quase todas as noites e colocava atrás da geladeira para que estivesse seca e pudesse usar novamente no dia seguinte. Eu nunca tinha dinheiro para nada. Passei a me sentir amargurado, revoltado, injustiçado. Não havia pedido para nascer, nem para meus pais se separarem. Não merecia sofrer. Foi durante este tempo que fiz amizade com delinqüentes, traficantes, bandidos e desocupados. Bebidas, cigarro, festas e confusão começaram a fazer parte do meu estilo de vida. Nós pichávamos muros durante as madrugadas, e eu me sentia vivo, participando de uma aventura! De alguma forma, e por algum motivo, me sentia amado e acolhido por esses amigos. Era como se eles fossem a família que não tinha. Na verdade, buscava qualquer coisa que fizesse esquecer os problemas e proporcionasse “uma viagem”.

Mas eu queria mais da vida. Apenas trabalhar para ter um lugar para dormir e comida garantida, não me satisfazia. Queria algo diferente. Abandonei os estudos, fui para o litoral do estado e comecei a trabalhar num restaurante. Fiz de tudo um pouco. Era um trabalho cansativo, mas em momento algum pensei em retornar para a minha família. Eles diziam que eu era um marginal, que nunca seria alguém, que não daria nada na vida. Então preferia ficar onde e como estava. Durante esse tempo, me interessei por música. E apesar das dificuldades, aprendi a tocar violão. Muito tempo antes, havia ouvido meu pai tocar também. Ele havia me incentivado a aprender, mas nunca havia me interessado. Mas descobri na música, uma fuga para os meus problemas. Uma forma de amenizar a minha dor. Tocar me dava prazer. Embora fosse momentâneo, me fazia bem, muito bem. Comecei a tocar violão todas as noites num bar executivo. Através de meu trabalho passei a ter acesso a lugares que antes me pareciam impossíveis. Recebi diversos convites para tocar em outros bares e também em boates. Rapidamente me tornei conhecido e comecei a fazer sucesso. Lembro que cantava numa boate e quando acabava o expediente, o dono oferecia um lugar para eu dormir. Aceitava porque não tinha para onde ir. Mas apesar desses “detalhes” era muito gostoso cantar e ser aplaudido. As pessoas iam me ver, me ouvir. De alguma forma eu era importante. E isso me fazia um bem danado! Havia sempre gente perto de mim. Muitos amigos. De repente me vi com acesso fácil a todo o tipo de drogas.

Aos poucos as coisas foram melhorando. Passei a ganhar melhor e comecei a me sentir muito seguro porque passei a me vestir com roupas boas. Passei a andar também de carro. Não era meu, mas um amigo sempre emprestava e me sentia poderoso por isso. Tocava e tocava todas as noites, de segunda a segunda, buscando fugir da solidão e da depressão voraz que se infiltrava em minha alma. Mas ao final daquelas noitadas de drogas, bebidas, sexo e relacionamentos vazios me restavam a solidão e a amargura. Sentia um vazio tão imenso, tão grande no peito que não sabia o que fazer. Foi nessa época que passei a levar uma garrafa de uísque junto comigo para a cama. Tomava três, quatro doses para adormecer. Ainda assim, muitas vezes perdia o sono e ficava fumando durante as madrugadas, pensando, pensando. Sem chegar a conclusão alguma do que fazer ou que rumo dar a minha vida. Eu queria ser feliz, queria estabilidade, queria ser realmente alguém. Embora parecesse estar bem, não estava. Ás vezes recebia uma boa quantia de dinheiro, mas acabava com ele rapidamente. Nunca o que ganhava dava para algo significativo porque comprava roupas, bebida e drogas. Então olhava para mim mesmo e não via nada, nem perspectiva alguma.

Até que um dia, um amigo disse para mim que acreditava no meu talento. E me convidou para tocar em Nova Iorque. Pensei muito no que ele me falou. Achei que mudar de país, de endereço, poderia ser uma solução. Mas eu não tinha dinheiro para a viagem.

Pouco depois disso, durante um ensaio, apareceu um promotor de eventos. Ele queria me levar para cantar em outra cidade, dentro do estado mesmo. Ele perguntou quanto eu cobraria para ir. Combinei o valor, acertamos todos os outros detalhes e na data combinada, viajei para fazer as minhas apresentações que durariam algumas noites. Na segunda noite, conheci uma moça. Carla, era o nome dela. Ela me atraiu muito. Tanto que ao final da apresentação quis falar com ela. Conversamos um pouco, mas os papos dela, eram esquisitos e muito diferentes. Ela me falou de Deus. Sinceramente, acreditava que Deus era um sujeito carrasco que estava sentado no céu, olhando para as pessoas. Se fizéssemos algo errado, ele nos castigaria. Se tivéssemos a sorte de nos dar bem, ele viria mexeria em tudo para que sofrêssemos novamente. Mas ela me disse que Deus era um sujeito muito bom que podia mudar toda a história de uma pessoa. Não gostei muito daquela conversa e mudei de assunto. Fui surpreendido quando ela perguntou sobre a minha família. Rapidamente disse que não tinha. Insistiu: “eles morreram?” Respondi que não, mas que para mim era como se tivessem morrido. Vi em seus olhos incompreensão pelo que eu dizia. Mais uma vez, mudei de assunto e pedi para vê-la nas outras noites. Pensei comigo mesmo que tudo que havia ouvido era uma grande besteira, mas que como estava interessado nela, faria de tudo para conquistá-la, e não me deixaria convencer por aquela conversa.

Sem que me desse conta, as palavras que Carla disse não saiam de minha cabeça. Sempre que possível, quando nos encontrávamos ela repetia que Deus me amava muito e que me aceitava com todos os meus defeitos. Um dia, estava muito chateado, me sentia arrasado, magoado por tantos questionamentos e buscas sem respostas. Exatamente neste dia, nos encontramos e ela me convidou para uma reunião, em sua comunidade cristã. Fiquei olhando para ela e pensando. Por alguma razão que não sei explicar, me senti desafiado a ir. Aceitei o convite. Quando cheguei lá, fui muito bem recebido. Eu não conhecia aquelas pessoas, porém fui tratado como alguém muito especial. Fui me sentindo leve, feliz. Muito feliz mesmo por estar naquele lugar.

Durante a reunião ouvi coisas diferentes e bonitas. As palavras que ouvi foram me tocando de um jeito que não entendia. Comecei a chorar. Chorei muito. Mas não era um choro de tristeza. Era como se as minhas lágrimas pudessem lavar todas as minhas frustrações, as minhas dores, a minha solidão. Senti que aquele choro me fazia bem, que lavava a minha alma. E enquanto chorava, comecei a me sentir alegre como nunca havia me sentido até ali. Era estranho, mas era muito bom! Senti que o grande vazio que havia em meu coração fora preenchido. Acreditei que minha existência tinha um propósito e um significado. Quando a reunião acabou simplesmente não quis ir embora. Minha amiga ficou conversando comigo. Disse a ela que estava me sentindo muito bem e que não queria sair dali. Foi quando compreendi que Deus fizera aquilo por mim. Ele tocou meu coração. Então aceitei a Jesus Cristo como Senhor e Salvador de minha vida, crendo que ele é o único caminho que pode me levar a Deus.

Posso dizer com segurança que aquela foi a melhor decisão que tomei. E daquele dia em diante, minha vida foi sendo transformada. Larguei tudo! Desisti de meus planos de sucesso e retomei os meus estudos. Recomeçar não foi fácil. Talvez você saiba que mudar o rumo da nossa vida, não é uma tarefa simples. Mas me mantive firme, no que havia decidido. O primeiro trabalho que consegui nessa nova fase, foi em um supermercado limpando o chão, arrumando as prateleiras. Antes costumava ganhar um salário mínimo por noite, mas agora ganhava bem menos que um por mês. No entanto, apesar de enfrentar muitas dificuldades financeiras, me sentia feliz, sentia como se minha alma estivesse leve. Eu sabia que Deus estava comigo, que nada me faltava e que estava forte para vencer qualquer batalha.

Mais à frente, aquela amiga que havia me ajudado a encontrar Deus em minha vida, tornou-se minha esposa. Carla é uma mulher batalhadora e juntos começamos a construir uma vida muito feliz. Aos poucos fui crescendo financeiramente também. Conclui duas faculdades, construímos uma casa para nós, assim Deus realizou mais um sonhos, que eu tinha. Ao longo desses anos Deus me chamou para o ministério, pela sua misericórdia consegui gravar dois cds PREFIRO TEUS ATRIOS e ACIMA DE REINOS tem sido uma bencao poder viajar pelo Brasil e outras nações passamos por mais de uma centenas de igrejas de diversas denominações divulgando o evengelho através da musica e da palavra com um ministério comprometido com o Reino de Deus.

A cada novo dia tenho mais certeza, de que é Deus quem acrescenta coisas boas a minha vida. Desde que o aceitei não soube mais o que é passar dificuldades. Existem problemas, desafios, mas a diferença é que sei que minha vida tem um significado. Não há mais um vazio dentro de meu coração. Sou alguém muito feliz. E digo que se você quiser e permitir, sua vida será transformada como a minha foi.

 
 

 

© 2010 - Todos os Direitos Reservados a Erik Farley

Desenvolvido por InovaSite